terça-feira, 17 de abril de 2012

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Minha vida nunca teve nada de tão interessante! Sempre as mesmas coisas; da escola pra casa, da casa pra escola…Uma vida entediante e sem surpresas.  Há três meses minha mãe, Helena, descobriu que esta com  câncer, infelizmente foi tarde demais, o câncer já se espalhou pelo seu corpo inteiro afetando órgãos vitais, a morte dela para os médicos era questão de meses. Hoje em dia ela dorme na cama de um hospital, pois seu corpo já não está aguentando as dificuldades da vida.  Quando minha mãe foi para o hospital eu fui obrigada a ir morar com o meu pai, Marcos, um cara que nunca ligou pra mim, nunca quis assumir a paternidade e nunca me tratou como uma filha, para ele eu não passava de um erro. Apenas me aceitou em sua casa porque eu não tinha para onde ir. A Sua mulher, Silvia, é a única que se importa um pouco comigo, mas isso não muda nada no meu dia-a-dia, pois ela trabalha muito e são raras as vezes que nós conversamos. Eles têm uma filha mais velha do que eu, Tatyane, uma guria simplesmente mimada e insuportável que faz de tudo para arruinar ainda mais a minha vida. É incrível a adoração que ela tem em me humilhar e me deixar pra baixo o simples fato de estar no mesmo cômodo da casa que ela me dá agonia. Enfim, aguento tudo pela minha mãe, tenho fé que ela melhore e tudo volte como era antigamente.
A minha “irmã” tem uma amiga de longa data, as duas sempre foram muito unidas, o que me deixa impressionada afinal aturar a Tatyane não é nada fácil. A amiga da Tatyane morava aqui, mas foi morar em Campo Grande, pois sua mãe iria trabalhar lá. Apesar da distância, as duas sempre mantêram contato e a amizade delas parecia inabalável.
……
Após tempos sem conversar com sua amiga, Tatyane resolveu ligar e matar as saudades.
— Oii amigaaa, que saudade! Quanto tempo não conversamos heim?! – disse enquanto deitava no sofá.
— Pois eh Taty, ultimamente to sem tempo pra nada… mas e ai tudo bom?
— Tudo sim e vc?
— Eu to ótima… me conta as novas mor!- disse ansiosa
— Nossa tefa, tenho tanta coisa pra te contar! Lembra daquela bastardinha do meu  pai que eu te contei?
— Claro que lembro! A sonsa da Gabryela - Gargalhou. — O que tem ela?- perguntou curiosa
— Então, a mãe dela ta internada e ela ta morando aqui! Nossa você não sabe o saco que é ver a cara dela todo dia, ela parece uma assombração - fazia cara de nojo.
—Nossa sério amiga?! Até imagino o que você ta passando ai!
—Ih nem me fale! Mas eu faço de tudo pra ferrar com ela!- tirou sarro. —Só ontem o meu pai brigou com ela duas vezes por minha culpa- deu uma gargalhada.
— Aaah tem que ferrar com ela mesmo! Queria tanto estar ai pra ver- disse rindo
— Ain amor eu to com tanta saudade… mas me conta as suas novidades! – disse ansiosa
— Então… eu to namorando! – contou
— Huuum como que ele é? A quanto tempo vocês estão juntos? Como vocês se conheceram? Ele é gato? – correu para o quarto
— Calma taty- interrompeu— Eu vou te contar tudo!- Prometeu
— Tah então me conta todos os detalhes!- pediu
— Bom… eu conheci ele em uma balada aqui. A gente começou a conversar e…- parou
— Que foi?
— Taty vou ter que desligar! Minha mãe ta tendo um ataque aqui, sei lá o que eu fiz dessa vez aff brincadeira um troço desse – reclamou
—  Aaah amor, então me liga pra continuar me contando dele ta?!- pediu
— Pó dexa! Xau taty… bjos!
— Tchau- desligou
….
Eu tomei meu banho e me preparei para mais um dia chato ao lado de pessoas insuportáveis, para mais um dia em que nada fazia sentido. Já estava na hora de sair para o colégio. O bom é que eu não estudava no mesmo colégio da minha “irmã” insuportável. Peguei minha mala, meu fone de ouvido e saí como todos os dias. No meio no caminho, uma notícia na rádio me fez paralisar. Meu coração congelou e parecia que meu corpo trepidava de emoção e desespero, aquilo não podia estar prestes a acontecer ou podia?

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