quarta-feira, 16 de maio de 2012

45

Naquele momento parece que as horas não passaram e sim voaram num trem bala. Na hora do meu almoço fui até o consultório para saber finalmente o que eu tinha. Muitas coisas passaram pela minha cabeça na sala de espera, a doença da minha mãe que pode ser hereditária, fora o imenso histórico de doença na família da minha mãe e do meu pai… Esperei cerca de 10 minutos apenas viajando em pensamentos, fazendo a lista das doenças dos meus parentes mais próximos. Quando entrei na sala do médico parecia que meu coração iria pular pela boca. O médico apenas olhava o exame em silêncio, creio eu que procurando a melhor forma de me dar a noticia, quando enfim me olhou por cima dos óculos e disse:
— Você não tem nenhuma doença minha cara… - expelia as palavras com a mais sublime calma. Então aliviada falei:
— Ahhhhh graças a Deus! Pensei que era algo sério!- ele então tornou a me olhar por cima dos óculos.
— Não é nenhuma doença, mas mesmo assim um filho é coisa seria moça! - pronunciou com uma certa cara de espanto.
Naquele momento fiquei estática, não sabia se ria ou se chorava, se acreditava ou duvidava ou se simplesmente respirava. Porque naquela hora até respirar se tornou uma ação difícil de ser executada. Olhei para ele com cara de quem não estava entendendo, e estava entendendo perfeitamente.
— Como assim doutor? Filho?…. Não é uma boa hora pra piadinhas de médico.- olhei como se acreditasse que aquilo fosse pegadinha.
— Não é piada Gabryela! - me falou incrédulo. — Você está grávida querida… Parabéns mamãe!!!
Sai do consultório a passos lentos, com o exame na mão e o “positivo” no pensamento. Um filho, a principio confesso que a idéia me assustou e me deixou aterrorizada, mas com o passar do tempo as idéias foram clareando e me imaginar com um filho do Luan no colo me pareceu lindo, mesmo assim eu tava cheia de medo, como explicar para o Brasil um filho do maior sucesso da musica sertaneja… Eu não sabia o que fazer, então respirei fundo e decidi que a primeira coisa a fazer era caminhar até o elevador e sair daquele prédio. Eu estava totalmente perdida, até esqueci de chamar um taxi ou pegar um ônibus e sai andando a pé mesmo e sem direção. Minha cabeça estava a mil, os pensamentos rolavam de um lado para o outro, eu estava quase entrando em pane, andava e andava e então passei a mão na minha barriga, uma lágrima se desprendeu indo em encontro ao chão, nesse momento meu celular começou a tocar, o tirei do bolso e a fotinha do Luan no visor me deixou apavorada. Será que eu devia contar? Ele era o pai, tinha que saber mais será que aquele era o melhor momento? Olhei a minha volta e percebi que estava perdida… atendi depois de muito chamar.
— Oi… - disse com a voz trêmula.
— Oi meu amor!!! Tudo bem?… Nossa que saudades minha lindona…
— Ain Luan… eu também to com saudades! Morrendo aliás…
— Você ta bem? Ta meio estranha… aconteceu alguma coisa?
— Eu to bem!… é que to perdida, acho que vou ter que liga pra alguém vim me achar..
— Perdida? Como assim Gaby? O que aconteceu?
— Eu vim buscar o resultado de um exame que eu fiz e… acabei me perdendo, sei lá onde eu to… - disse confusa.
— Que exame Gabryela? O que você tem meu amor?….. Fala Gaby pelo amor de Deus! - disse berrando e muito assustado.


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